Superquarta: BC e Fed decidem juros à sombra do tarifaço dos EUA

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Com pouco espaço para surpresa nos números, mercado foca atenção nos recados das autoridades monetárias

Autoridades monetárias dos Estados Unidos e do Brasil divulgam nesta quarta-feira (30) decisões sobre juros, à sombra do tarifaço anunciado por Donald Trump para esta sexta-feira (1º).

As atenções se voltam aos comunicados que o Fomc (Federal Open Market Committee) e o Copom (Comitê de Política Monetária) passarão.

Enquanto nos EUA as expectativas estão por sinais do início do corte de juros a partir do próximo encontro, no Brasil o recado deve confirmar o fim do ciclo de alta da Selic, mas com ressalvas que novos apertos monetários podem ocorrer caso os cenários doméstico (política fiscal) e internacional (efeito tarifário) demandem.

Fed e sinais de flexibilização

O mercado já prevê a flexibilização dos juros nos EUA a partir de setembro, com a redução de 0,25 ponto, mostram dados da CME. O ritmo deve ser interrompido no encontro de outubro e retomado em dezembro, com a taxa encerrando o ano entre 3,75% e 4%.

A perspectiva é sustentada pelo avanço nas negociações comerciais dos EUA com parceiros como União Europeia, Japão e China, além de sinais recentes de desaceleração do consumo e inflação ainda relativamente controlada.

Por outro lado, permanece elevada a incerteza quanto ao impacto defasado do aumento das tarifas sobre a inflação americana, com a maioria dos integrantes do Fomc ainda adotando postura cautelosa para evitar repetir erros do passado, quando subestimaram o choque inflacionário pós-pandemia.

O contexto fiscal expansionista do governo Trump e as pressões no mercado de trabalho reforçam essa cautela.

José Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, ressalta que o discurso do Fomc deve vir mais cauteloso, refletindo a preocupação com pressões inflacionárias persistentes e os potenciais impactos das novas tarifas comerciais.

“Embora os indicadores recentes mostrem desaceleração da inflação, o ambiente geopolítico instável e o risco de desancoragem das expectativas exigem uma postura vigilante do Fed. A manutenção do patamar atual sinaliza que o ciclo de cortes pode ser mais lento e condicionado à evolução do cenário fiscal e comercial”, diz.

Segundo a análise semanal da LCA, a maioria dos integrantes do Fomc ainda parece inclinada a uma postura mais cautelosa, enquanto o impacto direto do tarifaço “tende a ser relativamente modesto”, embora aumente a incerteza e “mine a confiança privada”.

Fim do ciclo do Copom?

No Brasil, a iminência do aumento para 50% das tarifas para produtos nacionais exportados aos EUA, previsto para 1º de agosto, aumenta a nebulosidade sobre o cenário econômico doméstico.

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