Especialistas ensinam como atravessar o “trimestre crítico” sem se enrolar com IPVA, impostos e cartão de crédito, e começar o ano seguinte sem dívidas.
O início do ano costuma ser um dos momentos mais delicados para as finanças pessoais. Isso porque após o clima de festas, 13º salário, viagens e presentes, muitas pessoas se esquecem de que várias contas chegam logo nos primeiros dias de janeiro.
Além de tributos como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), esse período concentra outros gastos, como matrícula escolar e seguros, que elevam ainda mais as despesas.
Não por acaso, o período que inclui dezembro, janeiro e fevereiro é conhecido pelos especialistas como “trimestre crítico” para as finanças pessoas.
O g1 consultou especialistas e reuniu dicas práticas para organizar o orçamento e iniciar 2026 com as contas em dia. Confira:
Use o dinheiro de forma inteligente
Quem ainda tem parte do 13º salário ou espera receber algum valor nos primeiros meses de 2026 — como Participação nos Lucros e Resultados (PLR) ou abono salarial, por exemplo —, deve usar esses recursos com inteligência, orientam os especialistas.
“Costumo sugerir uma divisão do valor em três partes: metade para quitar dívidas ou reservar para impostos, uma parte para consumo e outra para lazer ou poupança”, diz o economista e doutor em direito Caio Bartine.
O planejador financeiro Carlos Castro, CFP® pela Planejar, reforça que o primeiro passo para usar bem esse dinheiro é conhecer o custo do próprio padrão de vida.
“Muita gente ainda se perde porque não sabe quanto realmente gasta. Hoje o dinheiro ficou invisível: cartão, Pix e carteiras digitais tornam o consumo algo quase automático. Se você não sabe o custo da sua rotina, não tem como planejar”, explica.
IPVA e IPTU: pague com planejamento e atenção
Com a virada do ano, chegam novas despesas: IPTU, IPVA, fatura do cartão de crédito de janeiro, taxas escolares e gastos com material.
Quem possui uma reserva financeira pode aproveitar os descontos para pagamento à vista, que geralmente ficam entre 3% e 10%, dependendo do estado ou município.
Mas, se o orçamento estiver apertado, parcelar pode ser uma alternativa — desde que não haja atraso. O não pagamento gera juros, multas e pode até resultar no bloqueio do veículo ou inscrição em dívida ativa.
Segundo Bartine, planejar esses pagamentos ajuda a evitar juros, reduzir o estresse e garantir um início de ano mais tranquilo.
“Organizar as finanças também é um ato de cidadania fiscal”, afirma. “Quem paga tributos em dia pode até destinar parte do imposto a projetos sociais. É uma forma de transformar obrigação em impacto positivo.”
Quais dívidas pagar primeiro?
Para quem está endividado, a recomendação é seguir uma ordem de prioridade. O economista Caio Bartine divide as pendências financeiras em três categorias principais:
- 🏠 Essenciais: aluguel, condomínio, financiamento imobiliário, contas de energia, água, gás, internet e impostos sobre propriedade;
- 🚘Com garantia real: financiamento de veículos, empréstimos com garantia e dívidas tributárias;
- 💳 Sem garantia: cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.
No caso das dívidas sem garantia, o ideal, segundo o especialista, é buscar a renegociação, em vez de quitá-las imediatamente. Isso porque os juros desse tipo de crédito costumam ser mais altos e podem comprometer o orçamento.
Além disso, Castro também recomenda aproveitar os feirões de negociação que muitas vezes acontecem no início do ano.
“Dá para conseguir reduções de até 90% no valor dos juros”, afirma, reiterando que quanto mais cedo o consumidor começar a planejar suas finanças, mais fácil será de conseguir espaço no orçamento e “destinar parte da renda aos projetos de vida”.
O economista também destaca a Lei do Superendividamento, que entrou em vigor em 2021, como uma alternativa. A norma foi criada para proteger os consumidores com muitas dívidas que perderam o controle financeiro e não conseguem mais honrar seus compromissos sem comprometer o básico necessário para sobrevivência — como moradia, comida e saúde.
“Essa lei garante que as despesas essenciais sejam preservadas e que o restante da renda vá para o pagamento das dívidas, em parcelas possíveis de cumprir”, explica.
4. Evite se endividar
Os especialistas ainda destacam que é necessário cuidado com os gastos — que muitas vezes envolvem emoção e compras por impulso.
O planejador financeiro Carlos Castro recomenda dividir o orçamento em três grandes grupos, inspirados em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE):