O tratado deve impactar os preços de carnes, etanol, vinhos, medicamentos e máquinas, ampliar o comércio e exigir adaptações do agronegócio e da indústria brasileira
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra na reta final, e já é possível antever como ele deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos. No Brasil, os efeitos tendem a alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio.
Ao g1, a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, avalia que uma das mudanças mais perceptíveis deve atingir diretamente o consumidor: a maior presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro.
- O objetivo do tratado é facilitar as trocas comerciais entre os 27 países da União Europeia e os quatro países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, reduzindo tarifas alfandegárias tanto sobre produtos europeus vendidos no Brasil quanto sobre produtos do Mercosul exportados para a Europa.
- 📊 O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores — 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul —, o equivalente a cerca de 25% do PIB global.
- 💰 Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul.
Quem sai ganhando?
Entre os itens que podem ganhar espaço estão vinhos, queijos e lácteos, que passam a contar com acesso diferenciado ao país, abrindo caminho para uma redução gradual de preços ao longo do tempo.
Rodrigo Provazzi, CEO da Provazzi Consultoria e executivo em gestão de risco, destaca que outros itens de supermercado, como azeite, chocolate e algumas bebidas destiladas, também devem registrar queda de preços nos próximos anos.
“Do ponto de vista do mercado interno, é importante destacar que já somos grandes compradores, principalmente de produtos com maior valor agregado da UE. A expectativa é de redução de preços no médio e no longo prazo”, afirma Provazzi.