Tratado de livre comércio entre os blocos será assinado após 26 anos de negociações, mas ainda enfrenta resistência de países europeus e processos de ratificação complexos, como explicou a professora de relações internacionais Carol Pavese ao Agora CNN
Um acordo histórico entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado (17), representando a conclusão de um processo de negociação que se estendeu por 26 anos. O tratado de livre comércio promete abrir novas oportunidades comerciais para ambos os blocos, mas sua implementação ainda enfrenta desafios significativos tanto na esfera política quanto na burocrática. Carol Pavese, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá, explicou no Agora CNN que o acordo assinado não representa a conclusão definitiva do processo.
“A gente não pode considerar que esse acordo já vai entrar em vigor e que já está finalizado”, alerta a especialista. Após a assinatura, cada país membro do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) precisará submeter o tratado ao seu processo constitucional de ratificação, de forma independente.
Do lado europeu, os obstáculos são ainda maiores. Um grupo de 150 deputados europeus já manifestou oposição ao acordo e conseguiu agendar uma moção para o dia 21 de janeiro no Parlamento Europeu. “Essa moção pretende sujeitar o texto a uma avaliação jurídica da corte europeia, o que poderia suspender o processo de ratificação por até dois anos“, explica Pavese. Países como França e Polônia lideram a resistência ao acordo, o que pode dificultar sua aprovação definitiva.